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    segunda-feira, 28 de outubro de 2019

    Corpo de Bombeiros promove reencontro de jovem retirado do edifício Andrea com militares que atuaram em seu resgate

    “O que fazemos em vida, ecoa pela eternidade”. Essas palavras foram proferidas pelo imperador romano, Marcus Aurelius, e sempre vêm acompanhadas pelo seguinte questionamento: “Como queremos ser lembrados nas próximas gerações a partir de nossas atitudes, das nossas dedicações e das nossas tomadas de decisões?”. Certamente, o trabalho desempenhado por todos os homens e mulheres envolvidos no resgate das pessoas que estavam sob os escombros do edifício Andrea, que desabou em Fortaleza, no dia 15 de outubro, respondeu a cada um dos pontos que compõe essa pergunta. 


    Em uma corrente que envolveu profissionais de segurança e de saúde, além de voluntários, movidos pela dedicação, paciência e solidariedade, as engrenagens da humanidade se moveram e trabalharam em conjunto em prol de uma única causa: salvar vidas.

    Uma dessas vidas foi a do estudante de arquitetura Davi Sampaio, de 22 anos, que morava no primeiro andar do edifício Andrea. O jovem é uma das sete pessoas retiradas com vida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE), que atuou por mais 120 horas nas buscas. Na sexta-feira (25), o CBMCE promoveu o encontro de Davi com quatro bombeiros militares, que participaram diretamente do seu resgate, ocorrido quase cinco horas após o desmoronamento. O momento de emoção ocorreu em um apartamento no bairro Meireles, na Capital cearense.

    O primeiro bombeiro militar a alcançar a mão de Davi foi o cabo Moura, que narrou como foi a estratégia das guarnições para retirar o jovem em segurança. “Quando fiz o primeiro contato, eu o acalmei. Com isso, avaliamos qual seria o melhor local para retirá-lo de modo que não abalasse a estrutura. Depois de chegarmos a um consenso de onde concentraríamos nossos esforços, começamos a trabalhar para retirá-lo. E quando ele estava saindo, eu disse: você vai nascer de novo. Graças a Deus deu tudo certo e estamos muito felizes”, explicou o militar, que revelou ter feito uma analogia, no momento do retirada de Davi, entre o seu resgate e ao nascimento de uma criança, quando sai do ventre de sua mãe.

    “A todo tempo nós dizíamos: Davi, nós vamos retirar você daí. Tenha paciência. É um trabalho muito demorado, mas nós só vamos sair daqui quando retirarmos você. Então, ele ajudou muito, mantendo a calma, e dizendo cada vez mais que estava vendo a claridade. E isso nos motivava mais ainda”, pontuou o sargento Barroso.

    Se a luz do celular do jovem foi utilizada como guia para os bombeiros, a mãe de Davi, Ivoneide Eugênio, definiu as equipes bombeirísticas como a “luz de Deus”. “Quando eu via as equipes lá em cima, eu tinha certeza que vocês o tirariam. Um dos bombeiros chegou perto de mim e disse que eu não me preocupasse, porque as equipes já tinham conseguido dar água a ele (Davi). Naquele momento, eu senti uma felicidade grande. Quando eu o vi saindo, eu me ajoelhei e agradeci a Deus. Quero dizer também que vocês têm um ser lindo dentro de cada um, porque tiveram que lutar ali naquela tragédia, tiveram que nos acolher, e se preparar internamente. Vocês são a luz de Deus e eu estou muito satisfeita e orgulhosa de tê-los aqui com a gente”, disse emocionada.

    Ceará Agora

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