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    24 de abr. de 2020

    Pesquisadores elegem vacina como a melhor estratégia para vencer a Covid-19

    A ciência nunca produziu tantos estudos sobre um tema em um espaço de tempo tão curto como agora.
    No Google Scholar, versão do site que busca artigos acadêmicos, há 1.650 sobre a Covid-19, número que aumenta todos os dias. Ao mesmo tempo, a plataforma norte-americana ClinicalTrials.gov, que registra ensaios clínicos (pesquisas feitas com humanos) em andamento contabiliza 460 deles. No Brasil, há seis projetos listados no Registro Brasileiro de Ensaios Clínico. Esse escopo foi analisado, agora, por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, que tentaram identificar quais das estratégias estudadas no mundo todo parecem as mais promissoras.

    Os pesquisadores, que publicaram um artigo com esses dados na revista Frontiers in Microbioloby, elegeram as vacinas como o principal meio de combate à Covid-19. Já como abordagem terapêutica para o tratamento de infectados, a equipe avaliou que determinados antivirais, como o remdesivir — desenvolvido originalmente para ebola e que tem mostrado sucesso em ensaios clínicos —, devem ser a melhor opção. Terapias genéticas e infusão de plasma também foram avaliadas pelos cientistas da universidade norte-americana.

    De acordo com a equipe, o objetivo da revisão sistemática é fornecer ferramentas para a comunidade científica lidar não apenas com o Sars-Cov-2, mas com outros vírus zoonóticos — transmitidos por animais — que, fatalmente, surgirão. “Industrialização, globalização e hábitos culturais tradicionais potencializam a probabilidade de transmissão de zoonoses e facilitam a propagação de vírus na população”, diz Ralph Baric, professor do Departamento de Epidemiologia da instituição e um dos autores do estudo. “Enquanto novos surtos de vírus emergentes são inevitáveis, cientistas, epidemiologistas e o setor de saúde devem correr para desenvolver novas tecnologias que prevejam melhor e minimizem o impacto de uma epidemia, por meio de programas globais de vigilância e desenvolvimento de vacinas e antivirais.”

    De acordo com Baric, o estudo, que ficará aberto à comunidade científica, “fornece um recurso abrangente de possíveis linhas de ataque contra o Sars-Cov-2 e coronavírus relacionados, incluindo os resultados de todos os ensaios clínicos e pré-clínicos até agora em vacinas contra os vírus da Sars e da Mers”. Esses dois últimos emergiram em epidemias em 2003 e 2012, respectivamente, e apresentam um alto grau de semelhança com o causador da Covid-19. Por isso, tratamentos e imunizações que vinham sendo pesquisados para enfrentá-los também estão sendo testados para o novo coronavírus.

    Contudo, Baric alerta que a abordagem mais promissora para o desenvolvimento de uma vacina para a Covid-19 provavelmente não funcionará para o Sars-Cov, causador da síndrome respiratória aguda grave (Sars). Isso porque, apesar dos RNAs dos vírus serem bastante próximos, o mesmo não se pode dizer da sequência genética de um dos principais alvos para o ataque ao novo coronavírus: a proteína S. Tanto o Sars-Cov-2 quanto seu antecessor Sars-Cov têm essa proteína, a spike, que desempenha um papel essencial na infecção das células humanas.

    Localizada na parte externa do vírus, a spike se junta a um receptor presente na membrana celular do hospedeiro, que não reconhece a S como um inimigo, e permite que ele penetre a estrutura e comece o ciclo de replicação. Devido a esse papel essencial, a proteína é o alvo preferencial não só de vacinas, mas de outras terapias em andamento. Porém, a sequência de aminoácidos da S difere muito nos dois vírus, com um grau de similaridade entre 76% e 78%. “Vacinas com essa abordagem desenvolvidas para uma cepa específica (Sars-Cov ou Sars-Cov-2) provavelmente não funcionarão para a outra”, observa Baric.

    Das vacinas desenvolvidas especificamente para o Sars-Cov-2 que têm a proteína spike como alvo, os pesquisadores consideram como uma das mais promissoras a da Moderna, empresa californiana de biotecnologia. A substância já vem sendo testada em hospitais norte-americanos. “Apesar de ainda não terem estudos publicados sobre ela contra o coronavírus, a vacina de RNA tem funcionado bem para doenças infecciosas, como influenza e raiva, em modelos animais”, diz Baric.

    Terapia gênica

    Enquanto uma vacina que se mostre eficaz não seja aprovada, os pesquisadores também apostam na terapia gênica para oferecer proteção contra o Sars-Cov-2. Usando um vírus vivo atenuado, o adeno-associado (AAV), seria possível levar anticorpos, peptídeos antivirais e imunomoduladores, entre outras substâncias, diretamente às vias aéreas superiores. “A imunização baseada em AAV pode ser usada como uma alternativa rápida. Ela é direta e contém apenas dois componentes, o vetor viral e o anticorpo. Vários vetores de AAV provaram ser seguros e eficazes para uso humano”, detalha o infectologista Long Ping Victor Tse, coautor do estudo.

    O preço alto desse tipo de tratamento poderia ser atenuado, acredita ele. “Em teoria, uma dose única pode gerar uma resposta protetora dentro de uma semana e durar mais de um ano. O preço atualmente alto pode ser reduzido no tratamento de doenças infecciosas, que têm um mercado maior. Pode ou não já ser tarde demais para testar o AAV contra o Sars-Cov-2, mas, certamente, não é tarde demais para futuros surtos”, observa Tse.

    Antivirais

    Como o desenvolvimento e o teste de novas vacinas levam de um a vários anos, outras abordagens contra a Covid-19 são essenciais nesse meio tempo. Long Ping Victor Tse aponta como a segunda abordagem provavelmente mais eficaz os antivirais de amplo espectro, como análogos de nucleosídeos, aqueles que imitam as bases no genoma do RNA do vírus e são incorporados, por engano, nas cadeias de RNA que começam a ser produzidas, impedindo o processo de cópia e replicação do coronavírus dentro da célula humana.

    Tse aponta uma particularidade dos coronavírus que dificulta a abordagem. Eles têm uma enzima capaz de eliminar essas falhas, fazendo com que a maioria dos remédios análogos de nucleosídeos não funcione bem. Porém, um deles tem se mostrado promissor em testes com os humanos, o remdesivir. Outra substância também desenvolvida originalmente para o ebola, a beta-D-N4-hidroxicitidina age da mesma maneira e evita que o vírus corrija falhas, o que a torna promissora, segundo os autores do estudo divulgado na Frontiers in Microbioloby.

    A análise das estratégias estudadas considerou também a proposta de uso de plasma sanguíneo convalescente de pacientes que se recuperaram, com baixos níveis de uma variedade de anticorpos contra o vírus. A técnica vem sendo testada em vários hospitais do mundo, inclusive no Brasil. Embora reconheçam que pode ser uma boa opção, os autores também apostam em anticorpos monoclonais, isolados e produzidos em massa por biotecnologia. Essa “imunização passiva” pode dar imunidade a curto prazo, mas tem desenvolvimento mais lento. 

    Correio Brasiliense

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