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    11 maio 2020

    Auxílio: cidadãos enfrentam filas, erros no sistema e demora na análise

    Muitos são os problemas relatados por quem necessita do auxílio emergencial de R$ 600, programa federal criado para amenizar os efeitos econômicos da crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus.
    Filas em agências até erros nos sistemas da Caixa Econômica Federal foram enumerados por beneficiários como empecilhos para receber o dinheiro.

    Os pagamentos começaram em abril e a expectativa é que ainda nesta semana o Governo Federal anuncie o calendário da segunda parcela do benefício. É previsto o pagamento de somente três meses do auxílio emergencial.

    Um dos problemas mais visíveis e comentados nas últimas semanas foram as filas e aglomerações nas portas de agências da Caixa de todo o Ceará. Em alguns pontos de atendimentos, muitas pessoas madrugaram para assegurar que seriam atendidas.

    Em Fortaleza, houve até a comercialização de lugar privilegiado nas filas e apreensão de banquinhos por agentes municipais. Embora a Prefeitura de Fortaleza venha organizando as filas nos espaços públicos próximos a várias agências na Capital, ainda há registros de aglomerações no interior das unidades de atendimento em diversas cidades.

    Em nota, a Caixa informou que já houve redução considerável de filas nas agências de todo o País. "Em muitos casos, unidades que antes tinham aglomerações de pessoas em busca do saque do Auxílio Emergencial tiveram suas filas zeradas antes da abertura das portas, às 8h, resultado das medidas do banco para agilizar o atendimento".

    O banco reiterou ainda que não é preciso madrugar nas filas. "Todas as pessoas que chegarem nas agências durante o horário de funcionamento, de 8h às 14h, serão atendidas. Mesmo com as unidades fechando às 14h, o atendimento continua até o último cliente do dia. A Caixa continua atenta à situação das filas em todo o Brasil e sem medir esforços para que as filas diminuam significativamente".

    Dificuldades

    Segundo Aécio Alves de Oliveira, professor do curso de Economia Ecológica da Universidade Federal do Ceará (UFC), o Governo Federal não facilitou o acesso ao crédito do auxílio emergencial, o que teria ocasionado as filas em diversas agências. Ele aponta ainda a dificuldade de parcela significativa dos beneficiários para acessar os aplicativos e realizar o cadastro.

    "É complicado para as pessoas. Além do acesso restrito, porque só faz quem tem celular, quem domina aplicativos, muitas pessoas não conseguem acessar o sistema porque é ruim", avalia. Depois de inúmeras reclamações, o banco fez 15 versões com melhorias ao aplicativo em menos de um mês. A última atualização, segundo o banco, permitirá 5 mil usuários por minuto.

    "Até agora, você tinha que ficar acompanhando o Caixa Tem e não podia sair daquela tela. Agora, você pode bloquear a tela que, quando chegar a sua vez, você receberá uma mensagem automática de que você pode utilizar o Caixa Tem. O objetivo é simplificar o processo e esperamos que seja uma grande melhora", afirmou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

    O professor da UFC ainda alerta para o risco de contaminação das pessoas nas filas. "Fazendo essa limitação, como uso de celulares e aplicativos, o Governo cria o caos, levando muitas pessoas às agências e possibilitando a contaminação. É possível ainda que a dificuldade de acesso possibilite fraudes", completa.

    Questionada sobre as possíveis fraudes, a Caixa não respondeu a reportagem até o fechamento desta edição.

    Outra dificuldade enfrentada pelos beneficiários é a falta de informação. Nos primeiros dias de pagamento, muitas pessoas iam às agências tirar dúvidas ou mesmo tentar sacar o auxílio sem ainda ter o cadastro validado pelo Governo Federal.

    "É muita complicação para receber uma quantia irrisória. Numa situação como essa, você tem que ampliar os pontos de pagamentos e programar melhor isso, mas eles concentraram praticamente tudo nas unidades da Caixa", critica Aécio Alves de Oliveira.

    Análise

    Entre os problemas mais citados pelos cidadãos também estão a demora na análise cadastral feita pela Dataprev, a falta de atendentes para auxiliarem as pessoas e organizarem filas nas agências e a insuficiência de unidades para atender à demanda.

    Na semana passada, o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, disse que será concluída a análise de 17 milhões de pedidos e que a expectativa é que até 8 milhões de pessoas sejam elegíveis até hoje (11).

    A Dataprev, empresa de dados responsável pela checagem das informações do trabalhador, informou que finalizaria ontem o processamento dos requerimentos realizados entre os dias 23 e 30 de abril.

    Sem acesso

    Um dos problemas mais críticos do acesso ao auxílio emergencial é em relação às pessoas em situação de rua. Para Verônica Ximenes, professora do Departamento de Psicologia da UFC e coordenadora do Núcleo de Psicologia Comunitária (Nucom), muitos beneficiários nesta situação não têm celular ou mesmo internet para fazer o cadastro.

    "Há uma dificuldade muito grande de um grupo que vive em extrema pobreza que são as pessoas em situação de rua. Elas não têm celular para a validação do cadastro", aponta.

    O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, já havia informado que o Governo vai fechar um acordo com os Correios para que as unidades façam o cadastro de pessoas que queiram receber o auxílio emergencial. "Exatamente para facilitar e ajudar as pessoas a fazerem o cadastramento, revisar os dados que não estão corretos", disse.

    "Nós estamos em diálogo com o poder público municipal, apesar de sabermos que isso é com o Governo Federal. Temos contato também com a Defensoria Pública. Pelo que eu sei, ainda não houve nenhuma flexibilização das regras do auxílio para as pessoas em situação de rua. A gente entende a necessidade do controle do Governo, mas isso não pode estar acima da vida das pessoas", acrescenta a professora da UFC.

    Até o fechamento desta edição, a Caixa não havia se posicionado sobre este assunto.

    DN

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