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    18 de mai. de 2020

    Estudo aponta que até 53,7% dos adultos cearenses podem ser de grupo de risco para o coronavírus

    Utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde feita em 2013, pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) apontam que 53,7% dos maiores de 18 anos no Ceará podem ser parte de um grupo de risco para o coronavírus.

    Foram levados em conta idade avançada, doenças como diabetes e hipertensão, além de cânceres, problemas respiratórios, obesidade ou tabagismo. A porcentagem corresponde a mais de 3,6 milhões de pessoas.

    Dos mais de 1.400 mortos por coronavírus no Ceará, de acordo com dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), cerca de 73% eram pessoas de 60 anos ou mais, a maioria do sexo masculino. Cerca de 77% dos pacientes que vieram a óbito apresentavam doenças crônicas pré-existentes. O estado já ultrapassou a marca dos 20 mil casos confirmados de Covid-19.

    Na pesquisa da universidade paulista foram criados dois cenários. No primeiro, foram incluídos como fatores de risco ter idade igual ou maior que 65 anos, ter diagnóstico de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC), ter tido câncer nos últimos cinco anos ou conviver com uma doença renal crônica. Já no segundo cenário, foram considerados todos os critérios de risco do primeiro e somados a eles a asma, a obesidade e o tabagismo.

    Considerando o primeiro grupo, são 2.294.480 pessoas em risco de ter complicações caso sejam infectadas pelo coronavírus no Ceará. Isso corresponde a 33% da população maior de 18 anos do estado, segundo a pesquisa. Com a segunda amostra, o número sobe para 3.645.372 de cearenses - mais da metade dos adultos (53,7%).

    O estudo atenta para o fato de que os números utilizados são de 2013 e portanto podem ter sofrido variações. No Brasil, pelo menos 80 milhões de cidadãos estariam inseridos no segundo cenário.

    Foi observado pelos pesquisadores que os estados do Sul e Sudeste do Brasil, como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, têm taxa maior de pessoas no grupo de risco para a doença. Eles atribuem isso ao fato de que a população desses estados é mais velha. Além disso, diferenças no nível de acesso a serviços básicos de saúde é outra hipótese apresentada para explicar a variação. Nos estados do Norte e Nordeste, o estudo aponta que possa haver maior subnotificação das doenças consideradas nos cenários pesquisados.

    O estudo conclui que os dados coletados por questionários podem ser úteis para que sejam identificados mais facilmente os cenários de alto risco, já que a capacidade de testagem para o coronavírus ainda é limitada em diversos locais do Brasil.

    Proteger os grupos de risco, principalmente idosos e pessoas com comorbidades, com o isolamento social, é o mais indicado pela pesquisa.

    O G1 entrou em contato com a assessoria da Unifesp para solicitar entrevista com o professor responsável pela pesquisa, Leandro Rezende. No entanto, foi informado que ele não teria disponibilidade.

    Cuidados diferentes

    Para a infectologista Mônica Façanha, pesquisas como essa podem contribuir para entender o perfil do grupo de risco e ajudar a diminuir a transmissão entre eles. É preciso reforçar, segundo ela, que essas pessoas têm mais propensão a ter uma versão mais grave da doença, defendendo que eles tenham atenção especial - tanto própria quanto das autoridades e equipes médicas.

    Por isso, em caso de infecção por coronavírus, não basta esperar que o paciente do grupo de risco sinta falta de ar para só então buscar ajuda médica. Ela recomenda que essas pessoas procurem uma unidade de saúde entre o terceiro e o quinto dia da doença.

    Ela explica que a redução no oxigênio do sangue de pessoas com Covid-19 tem acontecido antes mesmo da falta de ar aparente. Buscar o hospital para receber oxigênio complementar pode fazer grande diferença no quadro do paciente de risco.

    “Principalmente se estiver se sentindo muito ‘mole’, cansado até para se levantar para ir ao banheiro, só com vontade de ficar na cama, se a febre alta persistir por mais de três dias ou se passar a apresentar vômitos que o impeçam de se hidratar”, elenca Mônica.

    Assim como a pesquisa, ela também recomenda o isolamento social. Por não existir ainda uma vacina ou informações sobre a imunização da população, após este pico das infecções por coronavírus passar, a incerteza continuará. A possibilidade de novas ondas ainda é um risco, de acordo com a especialista. “Todos teremos que ser cautelosos. Talvez tenhamos que ter outros hábitos na nossa vida ‘normal’, especialmente os que estão sob maior risco de complicações, até que se tenha uma certeza maior da imunidade”.

    Wilson Filho

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