PROGRAMA DO ROCHINHA

De Segunda a Sexta, das 6h às 7h, na FM MAIOR DE BATURITÉ 93,3. E-mail: programadorochinha@gmail.com - Fone: (85) 3347-1177 WhatsApp: (85) 9 9156-2117

FM MAIOR 93,3

  • Notícias

    9 de mai. de 2020

    Para cada brasileiro com covid-19, haverá outros 40 com doenças psiquiátricas por conta da pandemia

    Até o momento, nenhum país controlou com sucesso a pandemia do novo coronavírus, à exceção da China.
    Então peguemos a Itália, por exemplo. Lá a pandemia parece dar sinais de estar arrefecendo. Para uma população de 60 milhões de habitantes, até o dia de hoje (9 de maio) temos mais de 217 mil contaminados por covid-19. Neste momento, em que o número de infectados e de mortes pelo vírus decresce a cada dia, o contágio ocorreu em 0,3% da população italiana (na Alemanha, onde a queda está mais adiantada e onde se fala de um controle exemplar da infecção, esse número é de 0,2%).

    No Brasil de hoje estamos atingindo 145 mil infectados. Se seguirmos a proporção da Itália, até começarmos a estabilizar a doença teremos no mínimo 630 mil casos de covid-19 na população — 0,3% de 210 milhões.

    Pois bem, agora do lado da saúde mental. Na medicina de desastres, entende-se por desastres eventos de grandes proporções (terremotos, maremotos, surtos de doenças, grandes incêndios) que afetam profundamente o funcionamento de uma sociedade, gerando sérias consequências econômicas, sociais e sanitárias. E um dos reflexos graves dessas ocorrências são as doenças mentais que se seguem: estudos estimam que a prevalência de doenças mentais aumenta em até 40%.

    Vamos agora aos números: pesquisa realizada na cidade de São Paulo há alguns anos observou que 30% da população tinha transtornos mentais. Se expandirmos essa proporção para o Brasil, que tem 210 milhões de habitantes, destes, 63 milhões teriam transtornos psíquicos. Se houver um aumento de 40% por conta da pandemia, seriam 25 milhões de pessoas a mais.

    Desta forma: para 630 mil casos de covid-19 no Brasil, teríamos 25 milhões de pessoas com transtornos mentais gerados por conta dessa catástrofe. Uma proporção de 1/40. Ou seja: para cada pessoa contaminada por COVID-19, teríamos outras 40 com doenças mentais causadas pela pandemia.

    Há diversas ressalvas para essas contas: não dá pra esperar que o resto do país se comporte como São Paulo; não dá para saber ao certo quantas pessoas vão pegar Covid; não dá para saber se teremos uma resiliência maior ou menor a desastres do que o reportado no estudo. Enfim: não dá para prever o futuro.

    Mas, mesmo que o número seja uma estimativa grosseira, ele impressiona.

    Isso já entrou em pauta em diversas discussões, privadas e públicas. Qual o ônus real do vírus? Certamente não são só os que perdem a vida para a doença. Qual o custo da quarentena? Qual o custo do isolamento social? Qual o custo econômico, e de saúde mental?

    Permeiam aí questões morais delicadas: realizar um lockdown sério, prolongar a quarentena e expor as pessoas à penúria econômica e a sérios problemas mentais? Ou deixar pessoas morrerem por falta de leitos de UTI?

    Não há balança para isso. Depressão, ansiedade, a gente trata. A morte, não.

    Não sabemos quantas pessoas vão pegar o vírus. Não sabemos quantas vão morrer. O que sabemos é que, além da nossa saúde física, nossa saúde mental está em perigo.

    Que possamos dar o melhor de nós em casa com as nossas famílias para ficarmos sãos. Pois outra coisa também sabemos: que isso tudo uma hora vai passar.

    HuffPost

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário