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    12 de mai. de 2020

    Preço da gasolina já caiu 52% na refinaria; redução na bomba foi de apenas 10%

    Acompanhando uma das maiores quedas já vistas nos preços internacionais do petróleo, o preço da gasolina no Brasil chegou a cair mais de 50% nas refinarias do início do ano até maio.
    A maior parte desse desconto, entretanto, não chegou ao consumidor: ele ficou represado nos postos de gasolina, e principalmente, nas distribuidoras, que são as intermediárias que compram os combustíveis fabricados nas refinarias e os revendem para os milhares de postos de gasolina do país.

    Isso significa que o litro da gasolina saiu das refinarias e chegou às distribuidoras, em média, R$ 1 mais barato no começo de maio do que custava no começo de janeiro. No mesmo intervalo, entretanto, ela saiu das distribuidoras para os postos apenas R$ 0,46 mais barato. Nos postos, por fim, o preço médio da gasolina caiu R$ 0,40 entre janeiro e maio. 

    Percentualmente, a gasolina ficou 52% mais barata na refinaria, 11,9% mais barata nas distribuidoras e 9,2% nos postos. Como o valor final que chega à bomba é naturalmente maior do que o da refinaria, porque embutem custos adicionais como impostos, frete e salários, é normal que as variações percentuais fiquem menores para um desconto do mesmo tamanho, em centavos.

    Por isso, uma outra maneira de medir a diferença é comparando as variações em valores absolutos: em dinheiro, o tamanho do desconto deveria ser sempre exatamente o mesmo desde a refinaria até o posto de gasolina, caso não haja nenhum aumento de custo ou represamento no meio do caminho.

    Os estoques, de acordo com as entidades, podem durar de duas a três semanas para serem renovados, o que faz com que a gasolina mais barata da refinaria leve mais ou menos este tempo hábil até efetivamente chegar ao tanque do consumidor, na ponta final da cadeia.

    A própria redução acentuada da demanda é um fator que, de acordo com os distribuidores e revendedores, está pressionando os custos e impedindo reduções maiores. A lógica é que, com vendas substancialmente menores, custos fixos, como aluguéis ou salários, passam a ter um peso maior quando diluídos entre cada litro vendido.
      
    “A redução brusca das vendas nos postos de serviços a partir da pandemia da Covid-19 resultou em pedidos fracionados e em menor volume, elevando o custo unitário do produto”, afirmou o Instituto Brasileiro de Petróleo Gás e Biocombustíveis (IBP), que reúne as distribuidoras do país. 

    Paulo Soares, presidente da Fecombustíveis, federação das redes de postos de gasolina, destaca o papel dos impostos, que são acrescidos sobre o preço da porta da refinaria para fora e que chegam a mais de 40% do preço final da gasolina. O mais pesado deles – o ICMS – varia de 25% a 34%, de acordo com o estado, só que os governos estaduais estariam ainda cobrando o ICMS sobre valores antigos dos combustíveis, anteriores às reduções mais recentes. 

    O valor do litro do etanol anidro (usado na diluição) caiu 31% entre a primeira semana de janeiro e a primeira de maio, de acordo com dados acompanhados pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP). É menos do que os 52% da gasolina, mas mais do que os 11% e os 9% das distribuidoras e postos.

    Na última quarta-feira (6), a Petrobras anunciou um aumento de 12% na gasolina de suas refinarias, que passou a vigorar na quinta-feira, 7. Foi o primeiro aumento depois de quatro meses praticamente ininterruptos de cortes, o que elevou o preço médio por litro para R$ 1,033 e reduziu a queda acumulada no ano de 52% para 46%. Essa última variação, entretanto, não foi incluída na conta, que considerou o período fechado de 1 de janeiro a 1 de maio.

    Primeira Coluna

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