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    11 de jun. de 2020

    Com subnotificação, Ceará registra três de cada 10 casos de Covid-19

    De cada 10 pessoas infectadas com o novo coronavírus no Ceará, apenas três são diagnosticadas.
    Logo, a taxa de subnotificação de casos é alta no Estado, com precisão de 30% do total de doentes. O índice é do Coronacidades, plataforma desenvolvida pela Impulso, organização não-governamental sem fins lucrativos.

    A análise sugere uma amplitude de diagnóstico "insatisfatória" na região. Segundo o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde (Sesa), divulgado às 14h55 desta quarta-feira (10), os testes positivos são 71.402. Com a projeção de subnotificação, o número evolui para 238 mil, crescimento de 233%.

    Como a população do Ceará é estimada em 9,1 milhões de habitantes, a quantia significa infecção por SARS-CoV-2 de 2,61% dos residentes na unidade federativa. A Sesa comunicou ainda registro de 4.480 mortes por complicações da doença. Atualmente, são investigados 594 óbitos e 55.684 casos.

    O número de exames de diagnósticos aplicados na população é 164.505. Em maio, o Diário do Nordeste divulgou que o Estado é o que mais realiza testes no Brasil. Na terça passada (2), o governador Camilo Santana (PT) anunciou o início da maior pesquisa epidemiológico do País através de 9.900 testes destinados para Fortaleza, o epicentro de contágio cearense.

    Taxa de contágio

    A plataforma Coronacidades indica que cada contaminado infecta em média outras 1,3 pessoas no Ceará. O cálculo matemático para determinar a taxa de contágio leva em consideração dados diários sobre o tamanho da população, os casos confirmados, as mortes, os infectados e o número de recuperados.

    O número efetivo de reprodução, chamado "(R)", diz qual o potencial de propagação do vírus. Se maior que 1, cada paciente transmite a doença a, pelo menos, mais uma pessoa. Se menor do que 1, menos indivíduos se infectam.

    Em maio, quando Fortaleza estava sob regime de isolamento social rígido, o lockdown, a taxa do Ceará era a única do Brasil abaixo de 1 (0,92). O Governo do Estado realiza um plano de reabertura da economia desde junho, com flexibilização das medidas restritivas. A cidade está na fase 1, com 18 segmentos liberados para atuar seguindo protocolo de segurança, incluindo o comércio.

    Os demais municípios estão em etapa de transição, quando a autorização se limita à 17 segmentos. Em Acaraú, Camocim, Itapipoca, Itarema, Maracanaú e Sobral foi instaurado lockdown.

    O avanço no processo depende de três critérios: ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), número de casos confirmados do novo coronavírus e índice de óbitos.

    Os critérios precisam apresentar tendência decrescente para uma nova fase ser instaurada - são quatro e cada uma envolve mais cadeias produtivas livres para atuar, sempre com 14 dias de análise. Caso não se confirme o movimento, os processos de reabertura estacionam ou retrocedem.

    DN

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